Pélete de ração: o que é, como é feito e por que usar
Do farelo ao grânulo: as etapas da peletização, o que ela entrega ao animal e à fábrica e como proteger aditivos sensíveis ao calor
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Pélete de ração é um grânulo cilíndrico feito de ração farelada que passou por vapor e foi comprimida contra os furos de uma matriz metálica. O pélete leva a mesma fórmula do farelo em uma peça compacta, que o animal come sem escolher partículas. Para a fábrica, isso significa mais etapas, energia e controle de processo; para o formulador, atenção ao que sobra de vitaminas e enzimas depois do calor.
O que é pélete e como ele se diferencia das outras formas de ração
A mesma fórmula pode sair da fábrica em quatro apresentações físicas:
Forma | Como é obtida | Uso mais comum |
|---|---|---|
Farelada | Ingredientes moídos e misturados, sem tratamento térmico | Suínos, aves de postura, bovinos, fábricas sem peletizadora |
Peletizada | Farelo condicionado com vapor e prensado em matriz | Frangos de corte, suínos, coelhos, equinos, ruminantes |
Triturada (crumble) | Pélete quebrado em um triturador de rolos e peneirado | Aves e leitões nas fases iniciais |
Extrusada | Massa cozida sob alta temperatura, umidade, pressão e cisalhamento em extrusora | Pet food e peixes |
A extrusão cozinha muito mais amido e permite grânulos que flutuam ou afundam. A peletização é mais curta e barata, voltada a rações de produção em grande volume.
Como o pélete de ração é feito, etapa por etapa
Moagem. O moinho reduz o tamanho das partículas de grãos e farelos. A granulometria interfere na mistura, na absorção de vapor e na resistência do pélete.
Mistura. Ingredientes, minerais, vitaminas e aditivos são dosados e homogeneizados. O que sai do misturador é a ração farelada.
Condicionamento a vapor. O farelo atravessa o condicionador, um tubo com pás, recebendo vapor. Em referências do setor, a umidade sobe 4 a 5 pontos percentuais e a temperatura chega a 70 a 90 °C, com retenção de até cerca de dois minutos; os valores variam com fórmula, equipamento e espécie. Calor e umidade amolecem a massa e ativam ligantes naturais, como proteínas e amido.
Prensa. Rolos giram dentro de uma matriz (anel de aço perfurado) e forçam o farelo pelos furos; facas cortam os cilindros no comprimento desejado. O furo define o diâmetro do pélete. A espessura da matriz em relação ao furo define a compressão: matriz mais espessa compacta mais e gasta mais energia.
Resfriamento. O ar ambiente atravessa a camada de pélete quente e retira calor e a umidade do vapor. Umidade e calor residuais favorecem fungos na estocagem.
Peneiramento. A peneira separa os finos e os devolve à prensa.
Recobrimento. Algumas linhas aplicam óleo, gordura ou aditivos líquidos sobre o pélete frio. Para a ração triturada, o pélete passa antes por um triturador de rolos.
Por que peletizar a ração
Menos seleção e menos desperdício. No farelo, o animal escolhe partículas e deixa o resto; no pélete, cada grânulo carrega a fórmula inteira e há menos pó perdido no comedouro.
Maior densidade. O pélete ocupa menos volume por tonelada e escoa melhor em silos e linhas de distribuição.
Efeito do calor sobre microrganismos. O condicionamento reduz a carga microbiana. A Federação Europeia dos Fabricantes de Ração (Fefac) observa que a peletização comercial usual reduz bactérias como a salmonela, mas não as elimina de forma confiável.
Gelatinização parcial do amido. Revisão de Svihus e Zimonja (2011) aponta que só uma fração pequena do amido gelatiniza na peletização, sem mudança marcante na sua digestibilidade. O ganho vem mais da forma física do que do cozimento.
Desempenho de suínos e aves. Material de extensão da Iowa State University, revisado por pesquisadores da Kansas State University, registra melhora de 4% a 8% no ganho diário e na eficiência alimentar de suínos com ração peletizada em relação à mesma dieta farelada, da creche à terminação. Em frangos de corte, a maior parte das dietas comerciais é peletizada, e a resposta depende da forma física que chega ao comedouro.
Quais são os limites da peletização
Energia e vapor. O custo por tonelada depende do consumo de vapor e eletricidade, do desgaste de matriz e rolos e do volume produzido.
Finos. Pélete quebrado volta a ser farelo no caminhão ou no silo. Em suínos, a eficiência alimentar piora conforme aumentam os finos na ração servida.
Nutrientes sensíveis ao calor. O condicionamento pode inativar parte das enzimas adicionadas e destruir parte de algumas vitaminas. A revisão de Svihus e Zimonja descreve essas perdas, além do efeito positivo de inativar fatores antinutricionais de natureza proteica.
Aditivos resistentes à peletização
O formulador paga por unidades de enzima ou vitamina que podem não sobreviver ao condicionador.
Termoestabilidade. Fitase e outras enzimas são proteínas e perdem atividade com calor e umidade, em grau que depende do produto, da temperatura e do tempo. Entre as vitaminas, referências do setor citam A, biotina e ácido fólico como mais sensíveis. Probióticos de bactérias láticas tendem a sofrer mais que os formadores de esporos, como Bacillus.
Produtos revestidos ou termoestáveis. Um revestimento isola o ativo durante o condicionamento; outra via são enzimas com estabilidade intrínseca ao calor. A ficha técnica deve informar temperatura e tempo do teste.
Aplicação pós-peletização (PPLA). Na post-pelleting liquid application, o aditivo líquido é pulverizado sobre o pélete depois do resfriador, sem passar pelo calor. Exige dosagem proporcional à vazão de pélete e boa distribuição.
Validar a recuperação. Colete, no mesmo lote, farelo antes do condicionador e pélete depois do resfriador, e analise a atividade da enzima ou o teor da vitamina. A recuperação é a razão entre o valor depois e o valor antes. Repita ao mudar temperatura, fórmula ou fornecedor.
Na prática: como saber se o pélete está bom
Meça o PDI (índice de durabilidade do pélete), que estima quanto do pélete resiste à manipulação sem virar pó.
Pese os finos na saída do resfriador e, se possível, no comedouro.
Confira a temperatura do pélete após o resfriador e compare com o ar ambiente.
Registre temperatura do condicionador, amperagem da prensa e produção por hora em cada lote.
Para aditivos sensíveis, programe análises de recuperação.
A matéria "Qualidade do pélete: o que a fábrica controla no PDI" detalha métodos e metas.
Peletizar ou revisar a linha depende de três números mensuráveis: custo de vapor e energia por tonelada, finos que chegam ao animal e recuperação dos aditivos mais caros.
Perguntas frequentes
Pélete ou pelete: qual é a grafia correta? O dicionário Priberam registra "pélete", com acento, e remete o termo inglês "pellet" a essa forma. No setor de rações, "pélete", "pelete" e "pellet" aparecem lado a lado em catálogos, artigos e conversas de fábrica. A redação do FeedConecta adota "pélete", com acento, e "peletização" para o processo, forma usada também em textos técnicos de nutrição animal.
O que é ração peletizada? Ração peletizada é a ração farelada que passou por condicionamento com vapor e foi prensada em uma matriz metálica, formando grânulos cilíndricos. A fórmula é a mesma do farelo. Muda a forma física: o grânulo é mais denso, reduz a seleção de partículas pelo animal e diminui perdas no comedouro. Depois da prensa, o pélete é resfriado e peneirado.
Qual a diferença entre ração peletizada e extrusada? Na peletização, o farelo recebe vapor por pouco tempo e é comprimido em uma matriz. Na extrusão, a massa é cozida sob temperatura, umidade, pressão e cisalhamento mais intensos, o que gelatiniza muito mais amido e permite controlar a flutuação do grânulo. Por isso, a extrusão predomina em pet food e rações para peixes, e a peletização em aves e suínos.
A peletização elimina a salmonela da ração? Não de forma garantida. O condicionamento a vapor reduz a carga microbiana, mas a Fefac observa que as combinações usuais de tempo e temperatura da peletização comercial reduzem a presença de bactérias sem eliminá-las com segurança. Higienização exige tratamento térmico validado, e a fábrica ainda precisa evitar recontaminação no resfriador, nos transportadores e na expedição.
Como proteger enzimas e vitaminas na peletização? Há três caminhos: escolher produtos revestidos ou com termoestabilidade comprovada nas condições da fábrica, ajustar temperatura e tempo de condicionamento e aplicar o aditivo líquido sobre o pélete frio, depois do resfriador. Em todos os casos, a confirmação vem da análise de recuperação, comparando o teor ou a atividade antes do condicionador e depois do resfriador.
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Encontre fornecedores no FeedConecta: Peletização
Referências
Svihus, B.; Zimonja, O. Chemical alterations with nutritional consequences due to pelleting animal feeds: a review. Animal Production Science, v. 51, n. 7, p. 590–596, 2011. https://publish.csiro.au/AN/AN11004
Miller, T. G. (Iowa State University; revisão de M. D. Tokach e J. M. DeRouchey, Kansas State University). Swine Feed Efficiency: Influence of Pelleting. Iowa Pork Industry Center. https://www.ipic.iastate.edu/sfe/IPIC25e.pdf
Fefac. Hygienisation of feed / heat treatment (Feed Safety), atualizado em 2/6/2023. https://www.fefac.eu/wp-content/uploads/2023/06/13_AH_All_Feed_Hygienisation_Heat-treatment_finalclean.pdf
Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, verbete "pélete". https://dicionario.priberam.org/pesquisar/p%C3%A9letes
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